BRCGS: o que a norma exige
Escrito por quem audita o referencial há 23 anos, não por quem o vende. O que a norma exige, o que mudou na versão 9 e onde as empresas falham com mais frequência.
Ver o serviço- Issue 9 em vigor
- Issue 10 em desenvolvimento, sem data
O que é o BRCGS
A norma BRCGS de segurança alimentar (Food Safety) é a que grande parte da distribuição europeia exige aos seus fornecedores. Foi criada em 1998 pelo British Retail Consortium, hoje chama-se BRCGS, e está na versão 9.
É reconhecida pela GFSI. Isso significa que o teu certificado é aceite como evidência do sistema por retalhistas que nunca auditaram a tua fábrica. É essa a razão de ser da certificação: substituir a auditoria que cada cliente teria de fazer por conta própria.
A norma é construída sobre o HACCP do Codex Alimentarius e organiza-se em nove secções: compromisso da gestão de topo, plano de segurança alimentar (HACCP), sistema de gestão da qualidade e segurança alimentar, padrões do local, controlo do produto, controlo do processo, pessoal, zonas de produção de alto risco e alto cuidado, e traded products.
Que empresas precisam da certificação
Nem sempre é a empresa que procura a certificação. Muitas vezes, é o mercado que a exige. Um cliente pode definir a certificação como requisito para continuar a comprar, para iniciar uma nova relação comercial ou para permitir o acesso a determinados mercados.
Abrange fabricantes e transformadores de produto alimentar, e é o referencial habitual de quem produz marca própria para cadeias de distribuição.
Os traded products: produtos que a empresa compra e vende, mas que não são fabricados, processados ou embalados pela própria empresa. Estão sujeitos a requisitos próprios, diferentes dos que se aplicam aos produtos fabricados, e muitas empresas só o percebem na auditoria.
Traded products no BRCGSÉ essa a razão de ser da certificação: substituir a auditoria que cada cliente teria de fazer por conta própria.
O que mudou na versão 9
As alterações com mais impacto prático na Issue 9:
Deixou de ser uma declaração e passou a ter de ser demonstrada com um plano, ações e evidência de resultados.
Plano de culturaRequisitos novos sobre especificação e aprovação de equipamento antes da compra.
Novo requisito 4.6Posição revista sobre o programa e a sua justificação.
Nova posição do BRCGSTem mais peso e exige evidência que não se prepara só para o dia da auditoria.
E a Issue 10?
A Issue 10 está em desenvolvimento. A BRCGS constituiu um grupo técnico a partir de mais de 570 candidaturas e publicou um ponto de situação a 11 de agosto de 2026, sem data de publicação. A Issue 9 continua a ser a versão auditada. Se estás a implementar o sistema agora, a referência é a Issue 9.
AA, A, B, C, D: o que significa cada classificação
A classificação resulta do número e do tipo de não conformidades encontradas: críticas, maiores e menores. Quanto menos não conformidades, mais alta a classificação.
A data da auditoria é acordada previamente com a empresa.
A empresa não é avisada da data. O sinal + identifica a classificação obtida sem aviso prévio, que mostra o sistema tal como funciona no dia a dia.
O detalhe grau a grau está no artigo sobre a classificação BRCGS.
Onde obter a norma, e como se lê
A norma obtém-se na loja da BRCGS (BRCGS Store) e existe em português. Quem é auditado tem de ter acesso a uma cópia oficial. Os PDF que circulam na internet são, em geral, versões antigas ou rascunhos, e não servem de referência perante o auditor.
Ter a norma e saber interpretá-la são coisas diferentes, e é aí que surge a maior parte das dificuldades.
O que o auditor procura numa auditoria BRCGS
É a única secção desta página que um organismo de certificação não pode publicar, porque é ele o auditor.
Se preferires que estas não conformidades sejam identificadas num relatório meu antes de aparecerem no da entidade certificadora, é isso que faço em auditoria interna.
Auditoria internaBRCGS ou IFS: qual faz sentido para a tua empresa
| BRCGS | IFS | |
|---|---|---|
| Origem | British Retail Consortium, Reino Unido, 1998 | Retalho alemão e francês |
| Versão em vigor | Issue 9 | v8, de abril de 2023 |
| Reconhecimento GFSI | Sim | Sim |
| Onde pesa mais | Reino Unido e distribuição britânica | Alemanha, França e centro da Europa |
| Estrutura | Notas AA a D | Sistema de pontuação percentual; certificação só possível com pontuação igual ou superior a 75% |
Perguntas frequentes
Que versão do BRCGS está em vigor?
A Issue 9. A Issue 10 está em desenvolvimento e ainda não tem data de publicação.
Qual a diferença entre BRC e BRCGS?
Referem-se à mesma norma. BRC era o nome do British Retail Consortium; a organização que hoje gere a norma chama-se BRCGS.
A certificação é obrigatória?
Por lei não. A certificação é voluntária, mas pode ser um requisito de cliente.
O que significa a classificação AA?
É a nota mais alta numa auditoria anunciada e significa que a empresa obteve na auditoria um número de não conformidades menores igual ou inferior a 5.
A norma BRCGS existe em português?
Sim. A Issue 9 tem tradução portuguesa, disponível na loja da BRCGS.
Quando sai a Issue 10?
Ainda não tem data de publicação. A BRCGS está a desenvolvê-la com um grupo técnico da indústria e a Issue 9 continua a ser a versão auditada.
Qual a diferença entre BRCGS e IFS?
As duas são reconhecidas pela GFSI e cobrem o mesmo tipo de empresa. Em regra, decide o cliente: a distribuição britânica pede BRCGS; a alemã e a francesa pedem IFS. A classificação também é diferente: letras no BRCGS, percentagem na IFS.
Qual a diferença entre BRCGS e FSSC 22000?
A FSSC 22000 assenta na ISO 22000 e tem uma lógica de sistema de gestão. O BRCGS é mais prescritivo: define com mais detalhe os requisitos que a fábrica tem de cumprir.
Auditoria interna antes da certificação
As não conformidades identificadas antes da auditoria de certificação, com tempo para as corrigir.
Outras normas
- IFS v8, retalho alemão e francês.
- FSSC 22000 Sobre ISO 22000, reconhecida pela GFSI.
- GLOBALG.A.P. Produção primária, do campo ao registo.
- HACCP A base dos referenciais de certificação.
E outras normas, a pedido do cliente: a ISO 9001, a ISO 22000 e os referenciais privados da distribuição.