Os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE) confirmam o que temos observado no terreno: a indústria alimentar e das bebidas em Portugal continua a dar provas de uma resiliência e competitividade ímpares. Nos primeiros cinco meses de 2026, as exportações do setor atingiram a marca histórica de 3.307 milhões de euros, o que representa um crescimento de 3,33% face ao mesmo período do ano anterior.
Como profissional que acompanha diariamente empresas na sua jornada de certificação e conformidade, vejo nestes números mais do que estatística. Vejo o resultado de um investimento rigoroso na segurança alimentar e na qualidade, fatores que se tornaram a "moeda de troca" essencial para entrar e permanecer em mercados globais cada vez mais exigentes.
Neste artigo, vou analisar contigo o que estes dados significam para o setor e como a robustez dos sistemas de gestão (como o BRCGS, IFS ou FSSC 22000) está diretamente ligada a este sucesso internacional.
A Dinâmica dos Mercados: Onde Estamos a Crescer?
O crescimento de 3,3% não foi uniforme em todas as geografias. Houve um destaque claro para os mercados extracomunitários, que registaram uma subida de 5,92%. Este dado é particularmente relevante porque os mercados fora da União Europeia apresentam, frequentemente, barreiras técnicas e requisitos de segurança alimentar muito específicos.
Mercados em Destaque (Crescimento Homólogo):
- Cabo Verde: +19,64%
- Brasil: +15,93%
- Angola: +11,62%
- Japão: +10,68%

Por outro lado, o mercado comunitário (União Europeia) cresceu 2,17%, totalizando 2.260 milhões de euros. Países como a Itália (+20,64%) e os Países Baixos (+19,94%) foram os motores deste dinamismo na Europa.
Contudo, nem tudo são subidas. Os Estados Unidos da América registaram uma quebra de 9,64%. Esta retração num mercado tão relevante como o norte-americano deve servir de alerta. Os EUA são conhecidos pelo rigor do FSMA (Food Safety Modernization Act), e qualquer oscilação na conformidade ou na competitividade logística pode ter um impacto imediato nas exportações.
A Visão Estratégica: Qualidade e Resiliência
Jorge Tomás Henriques, Presidente da Federação das Indústrias Portuguesas Agroalimentares (FIPA), sublinhou recentemente que estes resultados demonstram a capacidade de inovação e a resiliência do setor, mesmo perante contextos geopolíticos desafiantes.
![]()
Para a FIPA, e concordo inteiramente, o crescimento das exportações não pode ser dado como adquirido. Ele é o fruto de uma atuação concertada. Como especialista-mentora, reforço que a qualidade não é apenas um departamento na tua fábrica; é a tua principal ferramenta de exportação.
Por que razão a Certificação é o teu Passaporte para Exportar?
Se pretendes que a tua empresa faça parte desta estatística positiva, precisas de compreender que os mercados de alto valor (como o Japão ou os Países Baixos) não compram apenas produtos; compram confiança.
A conformidade com normas reconhecidas pelo GFSI (Global Food Safety Initiative) é, na maioria das vezes, um pré-requisito não negociável. Vamos analisar como cada uma delas impacta a tua competitividade:
- BRCGS e IFS: São os padrões de ouro para o retalho europeu. Se queres vender para Itália ou Países Baixos, estas certificações são o teu cartão de visita. Elas garantem que os teus processos são validados por auditorias independentes e rigorosas.
- FSSC 22000: Muito valorizada em mercados globais e por grandes multinacionais, por ser baseada na ISO 22000, facilitando a integração com outros sistemas de gestão.
- GLOBALG.A.P.: Essencial para quem atua na produção primária e pretende exportar frutas, legumes ou produtos de aquicultura. Sem este selo, as portas do mercado internacional dificilmente se abrem.
Podes ler mais sobre as falhas comuns nestes referenciais no meu artigo sobre o Top 5 de Não Conformidades BRCGS.

O Desafio da Diversificação
O crescimento nos mercados da CPLP (Cabo Verde, Brasil, Angola) é um sinal positivo de diversificação. Contudo, exportar para estes destinos exige uma gestão documental e um controlo de qualidade que suporte tempos de trânsito mais longos e condições logísticas variáveis.
É imperativo que a tua equipa esteja preparada para os desafios técnicos de cada destino. O declínio nos EUA, por exemplo, mostra-nos que não podemos baixar a guarda. A conformidade regulatória deve ser dinâmica e proativa. Se já trabalhas com a norma FSSC 22000, recomendo que consultes o meu Guia Prático para a Transição V7, pois a atualização dos referenciais é um passo crítico para manter o acesso a estes mercados.
Construir uma Indústria Mais Forte
Como bem afirma o presidente da FIPA, é essencial assegurar um enquadramento regulatório que favoreça o investimento e a criação de valor. Para ti, gestor ou profissional da qualidade, isto traduz-se em:
- Formação contínua: Garante que a tua equipa domina os requisitos técnicos mais recentes.
- Auditorias internas rigorosas: Não as vejas como uma "chatice" burocrática, mas como um ensaio geral para o sucesso internacional. Podes ver como melhorar este processo no meu artigo sobre a ISO 19011:2026.
- Monitorização de dados: Usa os dados de exportação para identificar oportunidades e ajustar os teus padrões de qualidade aos mercados que mais crescem.
Conclusão
Os 3,3% de crescimento nas exportações agroalimentares são uma vitória para Portugal, mas são também uma responsabilidade crescente. A competitividade do setor depende da nossa capacidade de manter níveis de excelência técnica que superem a concorrência global.
A qualidade não é um custo; é o investimento que permite à tua empresa atravessar fronteiras e conquistar a confiança de consumidores em mercados tão distintos como o Brasil ou o Japão.
Se sentes que a tua empresa precisa de reforçar as competências técnicas para enfrentar estes mercados, a formação é o caminho.
Capacita a tua equipa para os desafios globais.
Explora a nossa oferta formativa na Quala e garante que a tua empresa está preparada para a próxima vaga de crescimento nas exportações.