Entrar numa auditoria BRCGS ou IFS Food com o "coração nas mãos" por causa do controlo de pragas é uma realidade para muitos Gestores da Qualidade. Eu sei, eu estive lá — tanto como consultora como do lado da auditoria. A verdade é que o controlo de pragas é muito mais do que ter umas "caixinhas pretas" espalhadas pelo chão e um contrato com uma empresa externa. É um sistema vivo e, infelizmente, é onde muitos castelos de cartas desabam.
Se estás a preparar a tua empresa para uma certificação internacional, precisas de entender que o auditor não procura apenas ratos ou baratas; ele procura evidências de controlo. Um único erro num detalhe técnico pode ser a diferença entre um "A" e uma Não Conformidade Maior que coloca tudo em risco.
Vamos analisar os 7 erros mais comuns que encontro nas auditorias e, mais importante, como podes evitá-los para garantir que o teu sistema é robusto e à prova de auditor!
1. Falta de Análise de Tendências (O erro "só coleciono papéis")
Este é, sem dúvida, o erro número um. Muitas empresas limitam-se a arquivar os relatórios de visita do prestador de serviços. Mas deixa que te diga: ter uma pasta cheia de papéis não significa que tenhas um programa de controlo de pragas eficaz.
As normas BRCGS e IFS exigem que os dados sejam analisados. Se tiveste três capturas de insetos voadores na zona de embalamento em julho e cinco em agosto, o que é que isso te diz? Se não tens um gráfico ou um resumo que mostre estas variações, não estás a gerir, estás apenas a observar.
Como resolver: Exige (ou cria tu mesmo) uma análise de tendências trimestral ou semestral. Se houver um aumento de atividade, tens de demonstrar que houve uma investigação e uma ação corretiva. Lembra-te: o auditor adora ver que tu detetaste o problema antes dele!
2. Barreiras Físicas Deficientes: A "Porta Aberta" ao Perigo
Podes ter o melhor veneno do mundo, mas se as tuas portas têm frestas ou se os teus colaboradores as deixam abertas "para correr o ar", o sistema falhou. Nas minhas auditorias, um dos pontos que verifico logo à chegada é o estado das vedações.
Uma fresta de menos de um centímetro é uma autoestrada para roedores. E as redes mosquiteiras? Se estiverem rasgadas ou se não forem fáceis de retirar para limpeza, o auditor vai anotar isso.

Dica de Mentora: Faz uma "ronda noturna" ou apaga as luzes e vê por onde passa a claridade nas portas exteriores. Se passa luz, passa uma praga. É essencial garantir que a manutenção preventiva está alinhada com a segurança alimentar. Podes ler mais sobre como preparar a tua estrutura no meu artigo sobre como conseguir uma auditoria de certificação bem-sucedida.
3. Mapas de Dispositivos Desatualizados
Imagina o auditor a caminhar pela fábrica com o teu mapa de dispositivos de monitorização na mão. Ele chega ao ponto 14 e… não há lá nada. Ou, pior, encontra uma armadilha que não consta no mapa.
Isto demonstra falta de controlo e de verificação. O mapa deve ser um reflexo exato da realidade no terreno. Se mudaste uma máquina de sítio e tiveste de mover uma estação de isco, o mapa tem de ser atualizado imediatamente.
Ação Proativa: Pelo menos uma vez por ano (ou sempre que houver alterações de layout), faz uma verificação cruzada de todos os pontos de monitorização. Isto deve fazer parte das tuas auditorias internas.
4. O "Buffet" para Pragas: Higiene e Gestão de Resíduos
As pragas não aparecem por acaso; elas procuram comida, água e abrigo. Se tens restos de matéria-prima acumulados debaixo de um tapete rolante ou se os contentores de lixo externos estão abertos e rodeados de sujidade, estás a convidá-las para jantar.
Muitas vezes, a falha não está no controlo de pragas em si, mas sim no plano de higienização. Um ambiente sujo invalida qualquer isco.

Regra de Ouro: A higiene é a tua primeira linha de defesa. Nas áreas de produção, a política deve ser rigorosa: touca total a cobrir todo o cabelo (sem exceções!), zero maquilhagem, zero adornos (brincos, anéis, pulseiras) e pele limpa (sem barba). Porquê? Porque qualquer resíduo humano ou objeto perdido pode contaminar o produto e atrair pragas. A segurança alimentar começa na tua imagem profissional e na limpeza do teu posto.
5. Falta de Formação e Envolvimento dos Colaboradores
O técnico de controlo de pragas vem à fábrica uma ou duas vezes por mês. Os teus operadores estão lá todos os dias, 24 horas por dia. Se um operador vê uma barata e não sabe a quem reportar, ou se acha que "não é o trabalho dele", o teu sistema está cego.
As normas exigem que os colaboradores tenham formação básica sobre como identificar sinais de pragas e como comunicar avistamentos.
Como melhorar: Cria um "Registo de Avistamento de Pragas" acessível a todos. Incentiva a equipa a reportar. Se o auditor perguntar a um operador: "O que fazes se vires um rato?", a resposta não pode ser um encolher de ombros. Ele deve saber exatamente qual é o procedimento. Precisas de ajuda para dar este passo? Explora as formações da Quala para capacitar a tua equipa.
6. Ignorar a Causa Raiz após uma Captura
Tiveste uma captura de um roedor numa zona crítica. O que aconteceu a seguir? Se a única ação foi "técnico substituiu o isco e reforçou a monitorização", estás em apuros numa auditoria BRCGS ou IFS.
O auditor quer ver a Causa Raiz. Como é que ele entrou? Foi uma porta aberta? Foi uma palete vinda de um fornecedor que não foi inspecionada? Foi um buraco na parede que não foi tapado?
O meu conselho: Trata uma captura persistente ou em zona crítica como uma Não Conformidade interna. Abre um processo, investiga a causa, implementa ações preventivas e verifica se resultaram. Isto demonstra maturidade no sistema de gestão.
7. Má Supervisão do Prestador de Serviços (Empresa Externa)
Muitas empresas cometem o erro de "delegar e esquecer". Mas atenção: a responsabilidade final pela segurança alimentar é tua, não da empresa de desinfestação.
O auditor vai verificar se as fichas técnicas e de segurança dos produtos químicos estão atualizadas e se o técnico tem a formação adequada. Vai verificar se os iscos usados na produção são iscos secos (para evitar contaminação cruzada) e se estão fixos (para que não sejam levados pelos roedores).

Checklist rápido para supervisão:
- Os relatórios de visita são assinados por alguém da empresa após a inspeção?
- As recomendações técnicas feitas pelo prestador estão a ser seguidas? (Este é um ponto onde apanho muitas falhas: o técnico escreve "reparar porta" há seis meses e ninguém faz nada).
- As licenças e seguros da empresa externa estão em dia?
Conclusão: O Controlo de Pragas é um Trabalho de Equipa
Como vês, o sucesso numa auditoria de segurança alimentar não depende de sorte. Depende de rigor, atenção ao detalhe e, acima de tudo, de uma atitude proativa. Manter uma fábrica livre de pragas exige que todos — desde a administração até ao operador de linha — compreendam que a higiene e o rigor estrutural não são opcionais.
Lembra-te: a tua imagem no chão de fábrica reflete o teu compromisso. Cabelo bem guardado na touca, sem adornos, sem maquilhagem — é assim que mostramos ao auditor (e ao mundo) que levamos a segurança alimentar a sério.
Se sentes que o teu plano de controlo de pragas precisa de uma revisão ou se queres garantir que a tua equipa está preparada para os desafios das certificações BRCGS e IFS, não hesites. Convido-te a conhecer as minhas soluções de consultoria e auditoria.
E para aqueles que querem elevar o seu conhecimento técnico ao próximo nível, visitem a Quala — A comunidade dos profissionais da Qualidade. Lá, temos formações específicas que transformam a teoria em prática real.
Vamos garantir que o único que "fica à porta" na próxima auditoria são as pragas!
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